22.4 C
Itabira
sexta-feira, abril 4, 2025

Transporte caro e sucateado abre brecha para aumento de sinistros de trânsito

Por Alysson Coimbra *

Uma política de segurança viária se faz não só com fiscalização, conscientização, e melhora da estrutura viária. Investir na qualidade do transporte público e incentivar o seu uso é uma das medidas mais eficazes tanto para a mobilidade urbana quanto para a segurança.

Existem inúmeras cidades que tem problemas de mobilidade urbana, mas mesmo assim ainda não regulamentaram o transporte de moto por aplicativo, deixando aberta uma porta para a operação clandestina do serviço. Belo Horizonte é uma dessas cidades que não só ignora, como amplifica o risco de sinistros de trânsito com motocicletas, pois além de não regulamentar e, por consequência, não fiscalizar, ainda aumentou recentemente o valor das tarifas do transporte público.

Há um ano e meio a administração ignora os riscos do avanço do transporte de passageiros por motos na cidade. O Poder Público tem obrigação de estabelecer regras mínimas de segurança e iniciar uma fiscalização eficiente. Do jeito que está, essa omissão das obrigações pode custar vidas de passageiros e trabalhadores que operam o serviço atualmente.

Estatisticamente, sinistros com motos são responsáveis pela maior parte dos pagamentos de indenizações por invalidez e morte do seguro obrigatório DPVAT. Nas últimas décadas, o declínio da qualidade do transporte público fez subir o emplacamento de motocicletas no país.

As motos são opções mais baratas para os deslocamentos nos grandes centros urbanos sem o desconforto do transporte público cada vez mais lotado e insuficiente. Mas essa busca por qualidade e agilidade também traz um aumento dos sinistros envolvendo esses veículos.

Importante ressaltar que a população, principalmente a com menos recursos econômicos, é a maior vítima do sucateamento do transporte público. Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) já mostrou que os mais pobres gastam quase 20% mais de tempo do que os mais ricos no deslocamento para o trabalho.

Diante deste cenário, é compreensível que se busque, por conta própria, uma forma digna de locomoção. Mas não podemos nos esquecer que é do Poder Público a obrigação de oferecer transporte digno e de qualidade à população.

Quando deixam de investir na qualidade e acessibilidade do transporte público e no incentivo a outros modais, as administrações municipais contribuem para o aumento da insegurança viária e dos consequentes gastos que isso traz para os cofres públicos, seja nos atendimentos e hospitalizações pelo Sistema Único de Saúde, seja no pagamento de auxílios e benefícios previdenciários ou ainda na perda de produtividade, uma vez que os maiores atingidos são jovens no auge de sua vida pessoal e profissional.

Cada ferido, cada vítima fatal, cada invalidez traz consigo não só uma dor dilacerante para a família, mas um dano para toda sociedade.

 

 

 

 

*Alysson é diretor científico da Associação Mineira de Medicina do Tráfego (Ammetra)

Patricia Penzin
Assessora de Imprensa

Acesse nossas redes sociais

Artigos Relacionados

Últimas Notícias

Visão geral da privacidade

Este site usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações dos cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.