Rose Félix disse que ficou “espantada” com as declarações de Marco Antônio sobre pretos e pode levar caso para frente

A vereadora Rose Félix apresentou um requerimento na reunião do Legislativo de ontem, onde pede informações ao prefeito Marco Antônio, sobre os dados que ele apresentou na sua última live, justificando sua recusa a construção do presídio. Ela não gostou do que viu e ouviu.

Rosilene Félix Guimarães, Rose Félix (MDB) a única vereadora da Câmara Municipal de Itabira, vice-presidente, disse que ficou assustada com as afirmações do prefeito Marco Antônio Lage(PSB), de que a população carcerária brasileira é “composta basicamente por pretos, além de afirmar que eles são massa de manobra de grupos de crime organizado, por serem semianalfabetos, “dando ainda explicações de que os familiares migram para as cidades onde os presídios estão localizados, gerando um “bolsão de miséria”. Marco Lage usou sua Live da última quinta-feira, para explicar porque recusou um investimento de R$ 25 milhões, na construção de um novo presídio na cidade.

 Em meio a uma reunião tumultuada, com protestos contra o prefeito Marco Lage por familiares de presos, policiais penais e profissionais do sistema carcerário, Rose Félix fez um requerimento, nos termos do Art. 227, inciso XIII do Regimento Interno da Câmara,  que foi aprovado na noite desta terça-feira (6) pelo plenário, onde o prefeito através da sua Diretora de Promoção para Igualdade Racial, senhora Nyara Martins Crispim, terá que responder ao Legislativo sobre algumas questões ligadas à sua fala.

Veja trecho o requerimento:

Diante das afirmações emitidas pelo Exmo. Prefeito de Itabira, Sr. Marco Antonio Lage, acerca dos impactos da instalação de um presídio de grande porte na cidade de Itabira, principalmente no que diz respeito à população negra do município, faz-se necessário saber:

=> Qual o número de população preta existente na cidade de Itabira?

=> Qual o nível de escolaridade das famílias formadas por pessoas pretas do município de Itabira? Especifique por gentileza a faixa etária e a escolaridade e a evolução destes dados nos últimos 5 (cinco) anos.

=> Qual o percentual de pessoas pretas que estudam em escolas particulares e qual o percentual de pessoas pretas que estudam nas escolas públicas?

=>  Qual o percentual de pessoas pretas residentes em cada bairro de Itabira?

=> Qual o número de pessoas que se mudaram para Itabira nos últimos 5 (cinco) anos em razão do cumprimento de pena de algum familiar no presídio de Itabira? Destes, quantos são pretos e quantos são brancos?

=> Quantas residências de moradores de fora de Itabira foram construídas no entorno do presídio do Rio de Peixe nos últimos 5 anos em razão da migração dos familiares dos apenados?

=> Quais as políticas que estão sendo criadas ou realizadas para a promoção da igualdade racial no nosso município?

Em sua justificativa no documento a vereadora escreveu:  “O Exmo Sr. Prefeito de Itabira esclareceu à população através de uma live transmitida ao vivo  no dia 01.07.2021, por meio de redes sociais, que não tomaria a decisão irresponsável de aceitar um presídio de grande porte na nossa cidade por temor de receber familiares de presos vindos de outras cidades e se formar “mais uma grande favela” no município. Além disto, o Sr. Prefeito, fez preocupantes afirmações com relação à população preta e população pobre de Itabira, o que nos trouxe a necessidade de se conhecer os dados que,  possivelmente, devem ter servido para subsidiar a narrativa do Prefeito. ”

Segundo o teor do requerimento, Marco Lage terá 48 horas para responder: “Por esta razão, requer que sejam prestadas as informações solicitadas no prazo de 48 horas, para que possamos trabalhar políticas direcionadas a este grupo e melhorar a condição e qualidade de vida dos nossos munícipes.”

Rose Félix, que na reunião anterior, foi solidária ao vereador  José Júlio Rodrigues “Combem” (PP), que sofreu discriminação por um internauta no facebook, Veja a matéria AQUI,  entrou na defesa dos pretos itabiranos. Emocionada, ela foi firme nas palavras: “Eu ouvi as declarações do prefeito na última semana, com relação a não aceitação em receber um presídio de grande porte em Itabira, e houve também as afirmações dele com relação à população preta da cidade, empregos que seriam gerados e outras. Comentários que ele fez dentro dessa Live. Eu recebi algumas dessas informações com bastante espanto,” disse a vereadora.

“E por essa razão eu apresentei o requerimento contendo algumas indagações que servirão para apurar a origem das informações prestadas pelo prefeito, e tomarmos as providências cabíveis né, caso haja alguma incoerência entre o que foi dito e a realidade do nosso município,” disse Rose.

Ela fez um alerta ao chefe do Executivo: “Nós precisamos ter bastante cautela ao nos referirmos a qualquer tipo de população. Seja ela preta, seja ela pobre, seja a categoria profissional, enfim, foram várias pessoas que se sentiram afetadas com essas afirmações e por essa razão eu entendi que a melhor forma da gente sanar as discursões,  ou levar adiante, seria sabendo realmente a origem, a procedência do conteúdo na sala de prefeito.”

Rose diz esperar que Marco Antônio não seja leviano: “Acredito que como chefe do Executivo do nosso município, ele não seria leviano. Ou pelo menos esperamos que não seja leviano, em fazer suposições ou acepção de pessoas ou ainda pré-julgamento e agir com preconceito com relação à população carcerária, com relação aos familiares dessa população carcerária. e com relação aos profissionais envolvidos aí nos serviços que são prestados nos presídios.”

Leia r veja os vídeos com a fala de Marco Antônio Lage:

Após ataque racista, Júlio do Combem compartilha “exemplo de política e afetividade”

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