Relatórios analisados indicam que saída de líderes religiosos ocorreu por iniciativa própria e destacam questionamentos administrativos e financeiros ainda pendentes de esclarecimento
Documentos aos quais a reportagem do Fuxicogospel.com.br teve acesso apresentam uma versão diferente da que vinha sendo divulgada sobre o afastamento dos pastores Alaerson e Rosileia da Igreja do Evangelho Quadrangular. De acordo com os registros, o casal não teria sido expulso da denominação, mas optado por encerrar voluntariamente suas atividades ministeriais.
Segundo o material analisado, os líderes compareceram ao Conselho Estadual da igreja em Minas Gerais para formalizar o desligamento. Na ocasião, teriam assinado documentos relacionados à devolução das chaves e do patrimônio vinculado à instituição religiosa.
Os registros também apontam que não houve aplicação de medidas disciplinares, intervenção administrativa ou afastamento determinado pela direção da igreja. A documentação menciona ainda que Rosileia continuou exercendo funções de liderança após alterações promovidas na estrutura organizacional da denominação.
Ainda conforme os documentos, a decisão de deixar os cargos teria ocorrido após divergências em relação a orientações administrativas apresentadas pela direção da igreja. No entanto, essa versão ainda depende de confirmação por meio de documentos complementares e de um posicionamento oficial dos ex-pastores.
Questionamentos sobre movimentações financeiras
Além das informações relacionadas ao desligamento, os documentos trazem apontamentos sobre a gestão financeira durante o período em que Alaerson ocupava funções ligadas à área contábil e de fiscalização das igrejas da Quadrangular em Minas Gerais.
Os registros indicam que o ex-pastor também mantinha participação em uma empresa voltada ao segmento financeiro digital. Segundo a documentação, ele teria atuado na intermediação de serviços financeiros destinados a pastores e líderes religiosos. Embora o relatório considere a situação incompatível com as atribuições exercidas dentro da instituição, não há, no material analisado, referência a condenações judiciais ou decisões definitivas sobre o tema.
Outro ponto destacado envolve a utilização de áreas pertencentes à igreja, em Sete Lagoas, por terceiros para atividades comerciais. O documento sugere que essa prática poderia gerar impactos patrimoniais e tributários para a denominação.
Divergências em contas e registros
A documentação também apresenta questionamentos relacionados à movimentação de recursos financeiros. Entre os apontamentos está a existência de um saldo contábil superior a R$ 115 mil que, segundo o relatório, não teria sido identificado em contas bancárias vinculadas à instituição.
Há ainda referência a uma conta regional que registraria aproximadamente R$ 294 mil, embora a conferência realizada pela nova administração tenha encontrado valor significativamente inferior.
Os documentos mencionam, ainda, possíveis inconsistências em lançamentos financeiros, ausência de registros de determinadas receitas, movimentações realizadas próximas à data de entrega das chaves e despesas consideradas atípicas pelos responsáveis pela atual gestão.
Entre os gastos apontados estão uma nota fiscal relacionada à avaliação de imóvel e boletos emitidos em favor de um escritório de contabilidade ligado ao ex-pastor. Somados, os valores questionados ultrapassariam R$ 211 mil, conforme a versão apresentada no relatório.
Entretanto, todas as informações citadas dependem de análise documental complementar, incluindo extratos bancários, contratos, notas fiscais e procedimentos de conciliação contábil que possam confirmar ou afastar as suspeitas levantadas.
Direito de resposta
Até o momento, os ex-pastores Alaerson e Rosileia não tiveram suas versões apresentadas nos documentos analisados. O espaço permanece aberto para manifestações, esclarecimentos e apresentação de documentos que possam contribuir para o entendimento dos fatos relacionados ao desligamento e à administração financeira da igreja.
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