Participação feminina aumentou 14,2 pontos percentuais em relação ao mesmo período de 2025, enquanto o número total de achados teve queda de 5,5% no mesmo período
As mulheres responderam por 77% dos achados relacionados à esclerose múltipla (EM) identificados em exames de ressonância magnética analisados pela Fundação Integrada de Diagnóstico, Pesquisa, Educação e Inovação em Saúde (FIDI) entre janeiro e junho de 2026. No mesmo período de 2025, elas representavam 62,7% dos registros. As discussões sobre o tema ganham visibilidade com o Dia Nacional de Conscientização sobre a EM, celebrado em 30 de agosto.
A maior presença de mulheres ocorreu mesmo com uma pequena redução no total de achados relacionados à doença, com queda de 5,5% no mesmo período de análise. Os dados fazem parte de um levantamento da FIDI realizado a partir da análise de exames de ressonância magnética e da identificação, nos laudos, de termos associados a possíveis achados da doença.
A predominância feminina observada acompanha uma característica descrita na literatura científica, que aponta maior frequência da esclerose múltipla entre mulheres.
“A maior frequência da esclerose múltipla entre mulheres é um padrão conhecido e observado em diferentes populações. Não existe uma explicação única para essa diferença, já que fatores genéticos, hormonais, imunológicos e ambientais são estudados para entender por que o público feminino apresenta maior suscetibilidade à doença”, afirma Dr. Harley De Nicola, superintendente médico da FIDI.
Adultos passam a representar 75% dos achados
A comparação entre os dois primeiros semestres de 2025 com 2026 também revela uma mudança na distribuição dos achados por idade. Os adultos de 19 a 59 anos, que representavam 60,9% dos registros no ano passado, passaram a responder por 75% neste ano. No mesmo intervalo, a participação dos idosos caiu de 27,3% para 14,4%, enquanto a dos adolescentes recuou de 6,4% para 2,9%.
Os números reforçam a concentração dos achados entre adultos, faixa etária compatível com o perfil mais frequente da doença descrito na literatura, já que a esclerose múltipla costuma atingir principalmente adultos jovens, com maior ocorrência entre os 20 e 50 anos (1)(3).
“A idade é uma informação importante na investigação da esclerose múltipla porque a doença costuma surgir justamente em uma fase da vida em que as pessoas estão profissionalmente ativas e desenvolvendo diferentes projetos pessoais e familiares. Por isso, sintomas neurológicos persistentes ou recorrentes nessa faixa etária merecem atenção e avaliação adequada. Ao mesmo tempo, a doença não é exclusiva dos adultos jovens, por também manifestar em adolescentes e pessoas mais velhas, situações em que o médico precisa considerar outras possíveis causas para os sintomas antes de chegar ao diagnóstico”, explica Dr. Harley.
Crânio e coluna cervical concentram mais de 90% dos achados
As ressonâncias magnéticas (RM) de crânio e de coluna cervical concentraram a maior parte dos achados nos dois períodos analisados. Os exames permitem identificar lesões no cérebro e na medula espinhal e são utilizados tanto no processo diagnóstico quanto no acompanhamento da atividade da doença (4)(5)(6).
No primeiro semestre de 2025, a RM de crânio respondeu por 69,1% dos registros e a RM de coluna cervical, por 25,5%. Juntas, representaram 94,6% dos achados. Os números permaneceram semelhantes em 2026, quando, no mesmo período, a RM de crânio concentrou 63,5% dos registros e a de coluna cervical, 29,8%. Somados, os dois procedimentos responderam por 93,3% dos achados neste ano.
“Na esclerose múltipla, não basta apenas identificar se existe uma alteração, mas entender onde ela está localizada, suas características e como esse quadro se comporta ao longo do tempo. É por isso que a avaliação do cérebro e da coluna tem tanta importância, por serem regiões que podem fornecer informações complementares sobre o comprometimento do sistema nervoso central. Quando analisadas em conjunto com a história e os sintomas do paciente, essas imagens ajudam o médico a construir uma visão mais completa do quadro e a acompanhar possíveis mudanças ao longo da evolução da doença”, diz Dr. Harley.
Diagnóstico combina avaliação clínica e exames de imagem
A esclerose múltipla é uma doença crônica e autoimune que compromete o sistema nervoso central. Ela ocorre quando o sistema imunológico provoca danos à mielina, camada que protege as fibras nervosas, interferindo na comunicação entre o cérebro, a medula espinhal e outras partes do organismo (1).
Os sintomas variam entre os pacientes e podem incluir alterações visuais, perda de força, formigamento, fadiga, dificuldades de equilíbrio e coordenação e alterações cognitivas. Como essas manifestações também podem estar associadas a outras condições, a presença de um achado na ressonância não significa, por si só, um diagnóstico de esclerose múltipla. A confirmação depende da combinação entre avaliação clínica e neurológica e exames complementares (4)(5).
“Um dos desafios da esclerose múltipla é que não existe um único sintoma ou um único exame que, isoladamente, conte toda a história. Muitas vezes, o paciente percebe algo que parece pontual e só a investigação mostra que aquele sinal faz parte de um quadro neurológico que precisa ser acompanhado. A ressonância magnética nos oferece informações muito importantes, mas uma imagem, sozinha, não fecha o diagnóstico. É preciso olhar para aquela pessoa como um todo: entender quando os sintomas começaram, como evoluíram, o que aparece no exame neurológico e o que as imagens revelam. É a combinação dessas informações que permite chegar a um diagnóstico mais seguro e definir o cuidado mais adequado para cada paciente”, conclui Dr. Harley.
Estima-se que a EM afete cerca de 2,9 milhões de pessoas no mundo e aproximadamente 40 mil no Brasil (1). Embora ainda não tenha cura, os tratamentos disponíveis podem ajudar a controlar a atividade da doença, reduzir surtos e retardar sua progressão.
Fontes e referências
(1) AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Esclerose múltipla tem novo tratamento aprovado pela Anvisa. 24 abr. 2026. (https://www.gov.br/
(2) JORNAL DA USP. Esclerose múltipla, doença neurológica autoimune, atinge principalmente jovens. 25 nov. 2025. (https://jornal.usp.br/
(3) NASCIMENTO, Luídi Neves et al. Tendência temporal da mortalidade por Esclerose Múltipla no Brasil por sexo, etnia e faixa etária, entre 2001 e 2022. Research, Society and Development, v. 14, n. 10, 2025. ( http://dx.doi.org/10.
(4) THOMPSON, Alan J. et al. Diagnosis of multiple sclerosis: 2017 revisions of the McDonald criteria. The Lancet Neurology, 2018. (https://www.thelancet.
(5) FILIPPI, Massimo et al. MRI in multiple sclerosis: current status and future perspectives. Nature Reviews Neurology, 2024. (https://www.nature.com/
(6) FILIPPI, Massimo; ROCCA, Maria A. MRI criteria for the diagnosis of multiple sclerosis: MAGNIMS consensus guidelines. The Lancet Neurology, 2016. (https://pubmed.ncbi.
Sobre a FIDI
Fundada em 1986 por médicos professores integrantes do Departamento de Diagnóstico por Imagem da Escola Paulista de Medicina – atual Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) –, a Fundação Integrada de Diagnóstico, Pesquisa, Educação e Inovação em Saúde (FIDI) é uma Entidade privada sem fins lucrativos que reinveste 100% de seus recursos em assistência médica à população brasileira. O retorno ocorre pelo desenvolvimento de soluções de diagnóstico por imagem, realização de atividades de ensino, pesquisa e extensão médico-científica, ações sociais e filantrópicas. Com mais de 2.100 colaboradores e um corpo técnico formado por mais de 500 médicos parceiros, a FIDI está presente em 100 unidades de saúde nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Goiás, Ceará e Rio Grande do Sul. É a maior empresa especializada em diagnóstico por imagem do Brasil. Em 2025, foram realizados mais de 5,1 milhões de exames de diagnóstico por imagem, crescimento de 9,6% em relação a 2024, entre ressonância magnética, tomografia computadorizada, ultrassonografia, mamografia, raios-X e densitometria óssea. Com soluções customizadas em diagnóstico por imagem, a FIDI oferece serviços de Telerradiologia, Gestão Completa, Consultoria, Educação Médica e Inteligência Artificial.
A Fundação também trabalha na proposição de soluções inovadoras para a saúde pública, como sistema de análise de imagens de tomografia computadorizada por inteligência artificial e participou da primeira Parceria Público-Privada de diagnóstico por imagem na Bahia. Por duas vezes, a FIDI recebeu o prêmio Referências da Saúde 2019 e 2020, na categoria Qualidade Assistencial, e por três vezes foi medalhista em desafios internacionais de aplicação de inteligência artificial no diagnóstico por imagem, propostos na conferência anual da Sociedade Norte-Americana de Radiologia, considerado o maior congresso do setor no mundo. Ao final de 2020, a Central de Laudos da FIDI obteve a certificação ISO 9001:2015 de Gestão da Qualidade e em 2023 renovou a certificação, pela International
Desde 2014, a FIDI atua na carreta-móvel do programa Mulheres de Peito, iniciativa do Governo do Estado de São Paulo e operacionalizado pela Fundação, e que oferece exames gratuitos de mamografia. Já são mais de 300 municípios atendidos, cerca de 300 mil mamografias, 7 mil ultrassons, 700 biópsias, e mais de 3 mil mulheres encaminhadas




